Dizem que japonês não sabe lá muito de futebol e um dos exemplos mais recorrentes é aquele sujeito nascido entre 1970 e 1980 perguntando a um contemporâneo se na infância dele tinha algum japonês na pelada do bairro.
Se um inesperado sim for a resposta, segue-se outra pergunta, se o tal japa era bom de bola. Geralmente a resposta é dada em forma de gargalhadas.
Mas de tecnologia, ah de tecnologia, a turma dos olhinhos puxados manja muito. E a tal da bola Jabulani, polêmica vedete da Copa 2010, é produto justamente disso: tecnologia.
Aqueles que desdenham da suposta falta de talento dos japoneses para o futebol ficaram atônitos com o que viram no Royal Bafokeng Stadium, em Rustenburg, na noite de 24 de junho de 2010.
Entre os 17 e os 30 minutos de jogo, Keisuke Honda e Yasuhito Endo estremeceram o mundo do futebol com duas cobranças de falta antológicas que puseram o desacreditado Japão à frente da favorita Dinamarca.
Não foram duas cobranças de falta ocasionais, nem duas falhas clamorosas do goleiro dinamarquês Sorensen. Tudo bem, o goleirão até deu uma vaciladinha, diriam os detratores do nipoludopédio. Mas que se faça justiça, aliás que se diga a verdade:
Foram dois baitas golaços.
A já folclórica Jabulani, que traíra os samurais na partida anterior contra a Holanda e decretou a derrota japonesa, pareceu ter seus segredos desvelados pelos aplicados orientais, que tiveram a partida sob controle durante todo o tempo.
Controle que nem o gol de honra escandinavo marcado por Tomasson, no rebote do pênalti mal cobrado por ele próprio, conseguiu abalar.
Porque seis minutos depois, Keisuke Honda entrou na área dinamarquesa e aplicou um drible de fazer inveja a qualquer craque brasileiro e, de bandeja, deu a bola para Sinji Okazaki confirmar a vitória por 3x1.
Ficou o recado para o Paraguai, adversário do Japão nas oitavas-de-final: no futebol, os japoneses já não são mais tão "japoneses" assim.
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